A Polícia Rodoviária Federal deu início a mais uma edição da Operação Rodovida, considerada a maior ação de segurança viária do país, com reforço na fiscalização e em atividades educativas nas rodovias federais até o período do Carnaval de 2026. A mobilização começou na terça-feira, dia 16 de dezembro de 2025, e se estende por um dos momentos de maior fluxo nas estradas, que inclui as férias escolares, as festas de fim de ano e o feriado carnavalesco.
Nesta edição, a atenção da PRF volta-se, principalmente, aos motociclistas, diante do crescimento expressivo de mortes envolvendo esse tipo de veículo. Dados oficiais apontam que, em 2025, o número de condutores de motocicletas mortos em rodovias federais superou em 38% os óbitos registrados entre motoristas de automóveis, um cenário que acende o alerta para o comportamento no trânsito e para a necessidade de fiscalização mais rigorosa.
Levantamentos da própria PRF mostram que, em 2023, foram registradas 1.560 mortes de motociclistas nas rodovias federais, número que subiu para 1.754 em 2024. Já em 2025, considerando o período de janeiro a novembro, foram contabilizadas 1.594 mortes. No mesmo intervalo, os óbitos de condutores de automóveis somaram 1.319 em 2023, 1.333 em 2024 e 1.151 em 2025, evidenciando a maior vulnerabilidade dos motociclistas no trânsito.
Entre janeiro e novembro de 2025, a PRF registrou 29.317 sinistros de trânsito envolvendo motocicletas em rodovias federais. No mesmo período do ano anterior, foram 28.894 ocorrências, o que representa um aumento significativo. As principais causas identificadas nesses sinistros estão diretamente relacionadas à conduta dos condutores, como a ausência de reação diante de situações de risco, a reação tardia ou ineficiente e o acesso à via sem observar a presença de outros veículos, fatores que contribuem para colisões e quedas com consequências graves.
Outro dado que chama atenção diz respeito à habilitação dos condutores. Estimativas apontam que mais de 32,5 milhões de pessoas são proprietárias de motocicletas no Brasil, porém cerca de 17,2 milhões não possuem Carteira Nacional de Habilitação na categoria A, exigida por lei para a condução desse tipo de veículo, o que agrava o risco de acidentes e infrações nas estradas.
O crescimento acelerado da frota nacional também aparece como um fator relevante nesse cenário. Informações da Secretaria Nacional de Trânsito indicam que, em outubro de 2024, o Brasil contava com aproximadamente 34,2 milhões de motocicletas em circulação, o equivalente a 28% de todos os veículos registrados no país. Esse aumento pressiona a infraestrutura viária e exige maior atenção por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Criada em 2011, a Operação Rodovida passou a integrar oficialmente, em 2021, as ações de governo coordenadas pela Secretaria Nacional de Trânsito, consolidando-se como o principal programa de segurança viária do Brasil. Durante o período da operação, diferentes instituições que atuam na fiscalização de vias urbanas e rurais trabalham de forma integrada com o objetivo de reduzir a letalidade e o número de feridos no trânsito.
As metas da Rodovida estão alinhadas ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, que segue diretrizes estabelecidas pela Organização das Nações Unidas. O plano prevê a redução de pelo menos 50% das mortes no trânsito brasileiro até o ano de 2030, um desafio que envolve fiscalização, educação e mudanças no comportamento dos condutores.
De acordo com a PRF, a prevenção e a intensificação da fiscalização são medidas essenciais para tentar reduzir os sinistros envolvendo motocicletas nas rodovias federais. O coordenador-geral de Segurança Viária da instituição, Jeferson Almeida, destacou que a mudança de cenário depende diretamente das atitudes adotadas pelos próprios motociclistas, ressaltando a importância de atenção constante ao tráfego, respeito aos limites de velocidade e realização de ultrapassagens apenas em locais permitidos.
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